Jucurutu (RN): Vereadores Aprovam Auxílio de R$1.800 em Cidade com Alta Dependência do BF
A recente aprovação de um auxílio-alimentação de R$ 1.800 para vereadores na cidade de Jucurutu, no Rio Grande do Norte, acendeu o debate sobre a alocação de recursos públicos. O município, onde mais da metade da população depende do Bolsa Família, viu seus representantes políticos aprovarem um benefício que contrasta com a realidade de muitos de seus cidadãos.
A Lei Municipal nº 1.174/2025, sancionada pelo prefeito Iogo Queiroz (PSDB), garante o auxílio aos vereadores, que já recebem um subsídio bruto de R$ 9.500,00. Com o novo adicional, a remuneração bruta de cada parlamentar atinge R$ 11.300,00 para uma carga de trabalho que, oficialmente, se resume a uma sessão ordinária por semana.
O Contraste com a Realidade Local
Considerando as quatro sessões mensais da Câmara Municipal de Jucurutu, cada vereador receberá R$ 450,00 por sessão apenas para alimentação. Esse valor é quase o dobro do que muitos trabalhadores do município ganham por semana.
Os números do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento Social revelam um cenário de grande dependência social em Jucurutu, cuja população é estimada em 18 mil habitantes:
- Dependência Social: Cerca de 55% das famílias dependem do Bolsa Família.
- Renda da População: A maioria da população vive com benefícios que não chegam a R$ 700,00 mensais.
- Abismo Financeiro: O valor que um vereador recebe para se alimentar em uma sessão (R$ 450) é quase 70% do valor do Bolsa Família.
Comparativo de Ganhos e Esforço
A disparidade fica evidente ao comparar a renda e a carga de trabalho de diferentes grupos:
| Beneficiário | Rendimento Mensal Total | Carga de Trabalho |
|---|---|---|
| Vereador | R$ 11.300,00 | 4 Sessões/mês |
| Trabalhador Comum | R$ 1.621,00 (Mínimo 2026) | 44 Horas/semana |
| Família Vulnerável | ~R$ 680,00 (Bolsa Família) | Subsistência |
Privilégios e Regras Diferenciadas
Enquanto as famílias que recebem o Bolsa Família precisam cumprir uma série de requisitos nas áreas de saúde e educação, o auxílio dos vereadores é de natureza indenizatória. Isso significa que o valor é pago sem descontos, sem necessidade de apresentação de notas fiscais e sem incidência de Imposto de Renda.
A lei entra em vigor a partir de fevereiro de 2026. A situação em Jucurutu serve de exemplo para discussões sobre prioridades na gestão de recursos públicos, especialmente em municípios com altos índices de dependência de programas sociais como o Bolsa Família.
Ministro Wellington Dias Acredita em Redução da Pobreza
Enquanto isso, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, declarou que o Brasil deve alcançar, em 2025, os menores índices históricos de pobreza, extrema pobreza e desigualdade social. Segundo o ministro, a recuperação de programas sociais como o Bolsa Família, que passou por reformulações, tem impactado positivamente os indicadores sociais do país.
O novo modelo do Bolsa Família integra transferência de renda com acompanhamento nas áreas de saúde e educação, com regras que permitem a continuidade do benefício mesmo após a inserção no mercado de trabalho, até que a família supere a linha da pobreza.
O ministro também destacou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta pelo Brasil durante a presidência do G20, que busca erradicar a fome e a pobreza extrema até 2030.
Os avanços do Brasil têm contribuído para a redução da fome em escala global, e a expectativa do governo é consolidar os indicadores sociais e ampliar os efeitos das medidas estruturais já aprovadas.


