O levantamento considerou um cenário com 645 mil postos de trabalho no agronegócio paranaense, totalizando uma massa salarial anual de aproximadamente R$ 24,8 bilhões – incluindo salários e encargos obrigatórios como FGTS, INSS patronal, provisão de férias e 13º salário. A conclusão central do estudo aponta que a redução da jornada exigirá uma reposição de 16,6% da mão de obra para evitar o comprometimento das atividades, seja por meio de novas contratações ou pelo pagamento de horas extras. Este cenário, inevitavelmente, elevaria os custos do setor em R$ 4,1 bilhões anuais.
Adicionalmente, o estudo projeta a necessidade de 107 mil novas contratações no Paraná para manter os níveis de produção atuais. Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, expressa preocupação com o impacto financeiro desta medida: “O acréscimo de R$ 4,1 bilhões representa uma pressão direta sobre a rentabilidade do produtor rural, que já enfrenta custos elevados, juros altos, escassez de mão de obra e endividamento devido a problemas climáticos. Um aumento dessa magnitude na folha de pagamento gera insegurança e dificulta o planejamento das atividades no meio rural”.
Meneguette também alerta para as possíveis consequências sociais da redução da jornada, como o aumento dos preços de produtos e serviços, a inflação e o crescimento da informalidade e da precarização das relações de trabalho. O impacto da medida varia entre os diferentes setores do agronegócio. Na avicultura e suinocultura, por exemplo, o custo adicional estimado é de R$ 1,72 bilhão por ano, devido à necessidade de manejo contínuo dos animais e ao funcionamento ininterrupto das plantas frigoríficas.
Na cadeia de grãos (soja, milho e trigo), o impacto financeiro é estimado em R$ 900 milhões anuais, concentrando-se principalmente no recebimento da safra e na logística de transporte durante os períodos de pico, quando armazéns e outras estruturas operam praticamente sem interrupção. O setor de laticínios também sentiria os efeitos da redução da jornada, com um aumento de custo estimado em R$ 570 milhões por ano, considerando a necessidade de coleta diária e processamento imediato do leite.
Para as cadeias de cana, café, fumo e hortifrutigranjeiros, o impacto estimado é de R$ 910 milhões anuais, devido à alta dependência de mão de obra em janelas de colheita específicas, que exigiriam a ampliação das equipes para manter o ritmo produtivo. Meneguette ressalta a importância de uma discussão técnica sobre o tema, envolvendo o setor produtivo, para evitar medidas com desdobramentos negativos para a sociedade. Ele critica a possibilidade de a medida ser utilizada de forma eleitoreira, sem considerar os impactos reais sobre o setor.
O presidente do Sistema FAEP finaliza o comentário dizendo que o Brasil enfrenta desafios significativos como infraestrutura logística deficiente, alta carga tributária, complexidade regulatória e baixa qualificação da mão de obra, o que impacta diretamente a competitividade do país no cenário global. Reduzir a jornada de trabalho sem abordar essas questões estruturais agravaria ainda mais a situação.


